segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sozinha em casa

Post bastante atrasado, era pra ser escrito há duas semanas, mas...já disse que não temos empregada, só uma diarista que vai de 15 em 15 dias, ou seja: sou servidora pública, estudante, esposa e DONA-DE-CASA. Significa que mal tenho tempo pra comer direito durante a semana, às vezes até tenho ideias pra cá mas acabam se perdendo no meio do tanque de roupa pra lavar, #aloka.
Eu e minha digníssima temos uma relação muito saudável. Isso hoje né, depois de passar aquela fase em que vc sente vontade de esfaquear alguma bandida que queira pertubar a tranquilidade da relação. Tenho ciúme sim, mas nada doentio daquele tipo que não se pode sair sozinha. Pelo contrário, até a incentivo de fazer algumas programações sozinhas de vez em quando, para manter a saúde da relação.
A madame tem um grupinho de amigas desde a época da escola, cresceram juntas e blábláblá. Então, era aniversário da mãe de uma delas, e nós duas fomos convidadas. Mas, me diz, o que eu ia fazer no meio de cinco mulheres que se conhecem desde os espermatozóides enclausurados nos testículos de seus respectivos pais? No mínimo ia ter que ficar a noite inteira escutando histórias sem entender nada e ainda ter que dar umas risadinhas pra não parecer antipática. Ainda mais festinha no meio da semana? Não, obrigada.
Como moramos meio longe do centro e o local da festa fica praticamente ao lado da casa da mãe dela, era meio inviável ela voltar sozinha, a noite. Falei que não teria problema algum de ela dormir na casa da mãe, afinal não seria a única vez que isso aconteceria.
Arrumei as coisas dela (sim, eu que escolho as roupas e arrumo sua sacola) e ela saiu, toda preocupada em me deixar só.
Meu dia foi absolutamente normal, cheguei em casa só lá pelas 20h, pois ainda fui pra academia. Tomei um banho, fiz alguma coisa pra jantar e fui pro quarto, depois de checar 30 vezes se a porta da rua estava trancada. Nós não dormimos com a porta do quarto fechada porque, OI, o apartamento é nosso, moramos sozinhas e fechar a porta pra quê?
Mas nesse dia bateu um medinho e não só fechei a porta do quarto como passei a chave também. É uma sensação meio estranha, eu simplesmente esquecia que ela não ia voltar pra casa e de vez em quando olhava no relógio pra ver se já tava na hora dela voltar.
Lá pelas tantas minha sogra liga pra perguntar se estou bem. Meia hora depois a madame também liga pra saber como estou. Devo parecer muito dependente, porque né, NÃO PAREÇO CAPAZ DE PASSAR UMA NOITE SOZINHA?
Minutos depois eu mesma obtive resposta: não. O tempo fechou, começou a relampejar e eu, desesperada, fechei a janela e me cobri da cabeça aos pés. A televisão ficou ligada a noite toda, pois eu precisava de algo iluminando o quarto. Durante a madrugada, eu rolava pro lado dela na cama, tateando em busca de uma costa, uma perna...
No geral, dormi bem. Mas prefiro mil vezes o meu pega-pega de madrugada do que dormir no meio da cama sozinha e não ter onde envolver meus braços.
Beijos,
J.
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sábado, 1 de maio de 2010

Palmas para o STJ

No último dia 27, o Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão favorável a um casal de mulheres que lutava para registrar seus dois filhos. Uma delas já havia adotado as crianças há alguns anos, porém sua companheira queria também adotá-los e dar-lhes seu nome.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul já havia, por unanimidade, reconhecido as mães e seus filhos como uma entidade familiar, mas o Ministério Público recorreu, alegando que essa união trata-se apenas de sociedade de fato. Então, o processo foi parar nas mãos do STJ.

Muitas vezes me pego pensando em uma pergunta ultra-mega-blaster clichê: em que mundo estamos vivendo? Milhares de crianças abandonadas, famílias desestruturadas, pessoas sem o mínimo de aconchego familiar, e certos agentes do poder público ainda conseguem impor obstáculos à formação de famílias que tem tudo pra dar certo.

Aí vem alguns profissionais listar motivos pelos quais apontam a inviabilidade de adoção de crianças por casais homossexuais. Um dos mais citados é que os filhos sempre precisam de uma referência masculina. Respeito muito a opinião desses profissionais e os anos que passaram sentados nas carteiras da faculdade estudando, mas, sejamos sensatos: nem sempre a teoria e a prática andam juntas.

Conheço pessoas que foram criadas só pelas mães, por “n” motivos e são pessoas maravilhosas, íntegras e sem trauma algum, muito pelo contrário, são extremamente unidas e gratas àquela que os concebeu e/ou criou.

Outras pessoas dizem que a criança passará por situações constrangedoras, inclusive na escola, devido a isso. Ora, aquelas crianças que tem pais alcoólatras ou mães drogadas também passam por situações talvez mais constrangedoras e nem por isso são impedidos de desfrutar do seio familiar de forma regularizada.

O STJ afirmou, em sua decisão, que nos casos de adoção sempre deve prevalecer o interesse da criança. Bingo! Quem será o mais afetado pela decisão? O adotado, é óbvio. Se um casal de gays ou lésbicas tem interesse na adoção de uma criança, é porque tem amor e vontade transbordando e, com certeza, será revertido em excelente criação. Então porquê jogar areia em cima? Porquê indeferir, negar, recorrer?

Porquê determinar que uma família deve ser composta de papai-mamãe-filhinhos? Obrigar uma criança a fazer parte de uma família composta por presença dos dois sexos, mesmo que não seja o melhor pra ela, só pra adequá-la à instituição dita normal?

O Direito ainda precisa avançar muito. Os legisladores precisam se inteirar da evolução da sociedade na hora da elaboração das leis, para não deixar a descoberto milhares de pessoas que fogem aos padrões.
Há que ser ovacionado o Tribunal de Justiça do Rio Grande Sul, pelas inúmeras decisões inovadoras e capazes de abrir caminhos aos homossexuais. Atualmente, é o órgão mais avançado em jurisprudência nesse sentido, muito mais ate que o próprio Tribunal paulista.
Quem quiser ler a notícia na íntegra, clica aqui.

Os primeiros passos estão sendo dados. Caminhemos.