quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Chá-de-Casa

Estamos nos preparativos para o nosso "casamento".
Sim, porque afinal, de contas, morou junto tá casado! Ninguém precisa entrar em igreja, atravessar tapetes mofados carregando flores geladas junto ao corpo pra se considerar como tal.
Muito menos escutar sermão de padre, ser atingida por meio quilo de arroz e ter que sorrir uma noite inteira amareladamente.
Já temos o mais importante: o amor incondicional de uma pela outra.
Temos ainda casa (ainda vai ser entregue, fato, mas é nossa!), alguns móveis e alianças (de ouro branco mesmo, com grossura suficiente pra ser avistada com distância considerável). Essas últimas estão guardadinhas esperando a hora de pertencerem ao anelar da mão esquerda. Já rodaram um tempinho na mão direta, mas por motivos de força maior (leia-se brigas idiotas - lembram o que eu disse sobre clichês de relacionamentos lésbicos?) decidimos guardá-las e usá-las somente quando fosse pra valer.
Semana que vem é o nosso chá-de-casa. Ambas estão vivenciando isso pela primeira vez, e, a cada dia me surpreendo com o quanto é gostoso esse momento.
Há um tempo estamos planejando esse evento, tudo nos mínimos detalhes: arranjos de mesa, decoração, comidas, lembrancinhas.
Estamos cuidado de tudo pessoalmente. Foram dias de andanças pelas lojas do comércio, comprando caixinhas, fitas, tintas, papel crepom, balões. Viramos artesãs, fizemos questão de fazer tudo com nossas próprias mãos.
Tudo isso inspira muitas sensações diferentes. Gera milagres, inclusive. Sim, porque só um milagre pra fazer a namorada acordar cedo num sábado pra andar comigo durante horas, me aturando comentar sobre tudo que ela nunca ouviu falar: rabo de rato acetinado, fitilho, saquinho de celofane, entre outros.
Os convites estão terminando de ser entregues, nossa lista de presentes já está devidamente entregue em duas lojas diferentes. Posso até mesmo imaginar a cara de interrogação de algumas pessoas que porventura passarem a vista sobre uma lista de chá com o nome de duas mulheres na capa. Faz parte.
Em breve, fotos de todo nosso trabalho. Tudo ficando lindo e nos deixando cada dia mais orgulhosas de todas as nossas conquistas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Primeira vez no AP

Texto escrito em 18/09/09

Registro de um dos momentos mais emocionantes de toda nossa jornada juntas: PRIMEIRA VEZ QUE ENTRAMOS NO NOSSO APARTAMENTO!
Não foi entregue ainda, mas como pelas nossas contas e informações cruzadas de engenheiro da obra e dono da construtora, tudo indica que faltam mais ou menos uns 3 meses para a entrega, estamos começando a correr atrás de algumas coisas, e uma delas é fechar com o marceneiro que vai fazer o projeto de modulados.

Entramos em contato com um marceneiro e combinamos de fazer o orçamento no sábado. Até então, a pretensão era entrar no apartamento modelo, que fica no stand de vendas ao lado da obra, para tirar as medidas, desenhar o projeto e etc.

Qual não foi a surpresa ao chegar ao local e dar de cara com o stand de vendas fechado, e apartamento modelo envolto em tapume de madeira... desativado!
Desespero total, já estava entrando em pânico, mas minha namorada-heroína sempre dá um jeito em tudo. Fomos até a obra, ela desceu do carro, chamou um pedreiro, disse que era proprietária de um dos apartamentos, que estava com um marceneiro pronto para fazer um orçamento e que gostaria muito de entrar em um, mesmo inacabado, que só precisava tirar algumas medidas.

O pedreiro então mostrou um portão ao lado, pediu que ela entrasse lá e falasse com o engenheiro responsável que estava de plantão no local. Ok, fomos até lá, eu achando que tudo aquilo não ia dar em nada, mesmo sabendo do potencial altíssimo de convencimento e, digamos, cara-de-pau da minha madame.

Logo depois, ela vem andando na direção do carro, já em posse de dois capacetes de pedreiros, me chamando para entrar. Fomos até o escritório do engenheiro, onde ela começou a colocar em prática todo o dom da sua oratória:

“Oi, Fulano (esqueci o nome do engenheiro), tudo bom? Olha só, ontem fui na Construtora e inclusive falei com o Beltrano (DONO da empresa) e ele me disse que não haveria problema nenhum de eu entrar no meu apartamento hoje, pois estamos com uma certa urgência de ter esse orçamento de modulados, e ele me orientou que viesse aqui hoje, falar com você!”

Aí o cara solta:
“Pois não, vou pedir a um funcionário que acompanhe as senhoras até o apartamento”.
Pausa e palmas para minha namorada que consegue tudo! \o/

Enfim, todas serelepes, de capacete e acompanhadas do funcionário e do marceneiro, fomos adentrando no local, em meio a vigas de ferro, toras de madeira, tijolos gigantescos e pedreiros cavando buracos na terra ao som de techno brega.
Já na entrada do bloco deu pra sentir o coração dar uma acelerada, que aumentava conforme subíamos os degraus da escada. De repente estávamos lá, na porta da nossa casa. Da nossa casa!!

Não sei se conseguimos disfarçar pro funcionário e pro marceneiro nossas caras de bobas, olhando pra todos os lados como se analisássemos os mínimos detalhes, mesmo o apartamento estando vazio, sem piso, sem pintura, sem nada.
As duas foram pra janela, e as lágrimas caíram ao mesmo tempo. Emoção e risadas se misturavam com as poucas coisas que conseguíamos dizer: “é só nosso!”, “é aqui que vamos morar!”.

Sensação indescritível. Experiência única. Não me contentava em apenas olhar, segurava nas paredes como se quisesse abraçá-las. Namorada bobona na janela tirando fotos da nossa vista, eu tirando fotos de todos os cantos, de todos os ângulos.
Marceneiro tirou todas as medidas, desenhou tudo, explicou detalhes. Hora de ir embora. Como?
Pausa pra olhar mais uma vez tudo, o lugar onde vai ficar nossa cama, nossa TV, nossa mesa, nossas fotos. Ok, podemos ir, mas com coração apertado.
Felicidade ao quadrado. A expectativa só aumenta pro dia em que essas chaves vierem pras nossas mãos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Primeiro Post

Sempre tive vontade de escrever um blog, até tentei algumas vezes, mas nada me motivava pra continuar escrevendo. Mas, atualmente, vivendo uma fase linda, me senti mais estimulada a deixar registrado aqui toda felicidade e descoberta que está presente em minha vida.
Sou péssima em templates, html e outras coisas que fazem parte desse mundo, por isso o blog ainda está cru. Vamos ver como vou me virar...


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Estamos prestes a realizar nosso sonho. Estamos juntas há 2 anos e 4 meses e há pouco mais de um ano compramos nosso apartamento. Sim, COMPRAMOS. É nosso!

Com direito ao nome das duas estampado no contrato de financiamento, toda pompa e toda glória.

Decidimos esperar pra fazer tudo de forma tranqüila, sem cair no clichê dos relacionamentos lésbicos: um mês de namoro, morar juntas, adotar um cachorro e blábláblá.

Nada contra esse clichê. Nossa primeira conversa sobre morar juntas, inclusive, surgiu em uma viagem, aos três meses de namoro. Setembro de 2007.
Mas optamos por fazer tudo com calma, sem atropelar nenhum passo. Decisão: não morar de aluguel. Comprar o apartamento. Ok, beleza. Mas como?

Os meses seguintes foram de muito esforço, poupa daqui, poupa dali. Conseguimos levantar uma graninha. Comprar jornal virou nosso vício. Jogávamos tudo fora e focávamos tudo nos classificados, o que a primeira vista parece ser chato, mas, se levado com bom humor, é diversão garantida.

Domingos e mais domingos jogadas na cama, uma pra cada lado, lendo anúncios, separando os mais interessantes, anotando telefones e tal e coisa. Meta: encontrar um apartamentinho de 2 quartos, bem simples e obviamente não com a melhor localização da cidade, em torno de 60 mil.

Ao final da pesquisa dominical, eu recolhia as minhas marcações e as dela e anotava tudo em nosso caderninho (aham, eu sei, sou muito chata, mas nós tínhamos um caderno específico para isso, com anotações uniformes, separados por bairro, marca-texto e tudo mais).
Diálogo tradicional:

Eu: Amor, acabou de marcar tudo?
Ela: Já!
Eu: Deixa eu ver a sua parte pra poder anotar aqui.
(lendo)
Eu: Filha, o que isso aqui que você marcou?
Ela: (Cara de cachorro com medo do dono) Você não gostou desse apartamento?
Eu: Adorei, quem nos dera comprá-lo, o problema é que ele custa só um pouquinho além do que podemos, 80 mil!
Ela: (Carinha triste mais linda do mundo) Droga...então nem dá né? (Gargalhada mais gostosa da face da terra).

E nós curtimos muito essa fase! Trocávamos um fim de semana de baladas e barzinhos por visitas a imóveis, encontro com corretores e busca de apartamentos com um “Vende-se” pendurado na janela.
Sábado de manhã e lá íamos nós no carro, óculos escuros, o caderninho de anotações, uma cervejinha porque ninguém é de ferro, atrás dos benditos anúncios.

Passamos por poucas e boas, caímos em anúncios furados, fomos ver casas caindo aos pedaços (de onde sempre saíamos correndo antes de cair na risada na frente do proprietário), casas em ruas esburacadas e sem saída, apartamentos dignos de serem contemplados pelo “Lar Doce Lar” do Caldeirão, apartamentos lindos e reformados (que nunca eram pro nosso bico), apartamentos bons mas sem documentação, enfim! Uma saga.
Foi aí que optamos por comprar apartamento na planta. Sim, como não pensamos nisso antes? Não precisávamos correr loucas atrás de documentação, imóvel novinho em folha e muito mais facilidade.

Julho de 2008

Já sonhávamos com esse apartamento bem antes de comprarmos. A gente passava na frente e sonhava, sonhava...Mas, um belo dia, vindo de uma de nossas visitas, resolvemos entrar novamente no stand de vendas, diga-se de passagem por insistência da namorada, que quando quer uma coisa ninguém tira da cabeça.

Então descobrimos que ainda havia uma única unidade da segunda etapa (esse condomínio é formado por vários prediozinhos, várias etapas) que ainda não estava vendida! E a quantia a ser paga de entrada nós tínhamos com folga no banco!

Nos olhamos e ficamos algum tempo paradas. Uma buscando segurança no olhar da outra. Então demos as mãos e “é nosso"!

A partir daí foi uma sequência de formalidades, assina aqui, ali, cópia de documentos, leva ao banco, abre conta e zzZZzzzZZ.
Mas, pouco mais de um ano depois da compra e já com o contrato de financiamento aprovado, aguardamos ansiosas pela entrega. Como é de praxe, a obra está atrasada. A previsão era pra junho, mas imagino que até o fim do ano esteja em nossas mãos.